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Vereadora Edna Mahnic fala sobre atuação da imprensa

Durante Sessão Ordinária desta segunda-feira, 16, a vereadora Edna Mahnic (PT) usou a tribuna para discursas sobre o verdadeiro papel da imprensa no Brasil. Em sua concepção, a informação é um fator muito importante no mundo moderno e tem sido assim desde a Antiguidade. “Mesmo com a escrita manual, rudimentar junto com as dificuldades em vencer grandes distâncias, a informação sempre foi fundamental para a auxiliar os governantes de todas as épocas na tomada de decisões acertadas e no encaminhamento de ações. Junto a isso, há a necessidade que o ser humano sempre teve de estar em contato com as notícias, sejam elas quais forem e venham de onde vier”, afirma ela, criando um paralelo entre informação e conhecimento.

Para a parlamentar Edna Mahnic, o conhecimento é fruto de ações planejadas, resultado de estudos e pesquisas aprofundadas e fundamentadas. Para se conhecer de verdade, busca-se a verdade por trás dos fatos, rejeita-se toda e qualquer dúvida, meias-verdades ou suposições. “Dá-se ao conhecimento um caráter quase científico, em que há zelo pela exatidão dos fatos. Já na informação, a reprodução de um acontecimento propaga-se de modo rápido e a cada estação modifica-se o seu conteúdo. A informação chega até nós através das notícias e, para despertar o máximo de nossa atenção, ela vem quase sempre acompanhada por um componente trágico. É próprio do ser humano se interessar por dissabores, disputas e fatos trágicos. Na busca por esse componente há muitos que até os fabricam, seja por boatos, seja provocando irresponsavelmente seu acontecimento. Talvez por saberem disso (uns) ou por desconhecerem essa característica (outros), muitos operadores da informação fazem uso exagerado dessa prática reprovável”, comentou.

De acordo com a vereadora, o uso intenso do ‘comércio de informação’ tomou o mundo de forma irreversível a partir do Século XV, quando os efeitos provocados pela imprensa (recém-inventada por Gutenberg) já eram percebidos na Alemanha, onde houve a publicação das famosas teses nos panfletos críticos do reformista Martinho Lutero, de onde surgiu a Reforma Protestante. Deflagrada em 1517, passou a ter grande aceitação entre a população letrada da Alemanha e, logo após, veio a publicação da Bíblia em vários idiomas, o que contribuiu para consolidar a Reforma Protestante na Europa e na América do Norte.

“As principais capitais do mundo se muniram de bibliotecas e as letras ganharam as ruas através da publicação de notícias nos chamados jornais. No Brasil não foi diferente. Dos Jornais passamos ao rádio e, décadas depois à televisão. Hoje são incontáveis as formas de mídia a serviço da informação. Mas não é bem assim. A controvérsia em torno das comunicações é tamanha que há quem afirme que o advento da televisão foi a maior tragédia que aconteceu à humanidade, superando as próprias guerras”, ressaltou, concluído que “polêmicas à parte, o certo é que o ser humano possui muita habilidade para modificar a realidade produzindo cultura material ou intelectual. Mais recentemente tem conseguido ordenar às máquinas que avancem, façam, mostrem, escondam e neguem. O próprio ser humano que se ‘esconde’ atrás desses artefatos. É a imprensa (atualmente chamada de mídia) que elege o assunto que quer noticiar e escolhe o fato que o leitor, ouvinte ou telespectador quer ver, ouvir ou ler”.

A vereadora Edna ainda lembrou das palavras do fundador de um grande grupo de comunicação do Brasil, jornalista Roberto Marinho, que dizia – o importante não é o que se divulga, mas o que se deixa de noticiar -, que em sua ótica, “nesse ponto em particular ele acabou por criar uma tradição, ‘a Maléfica tradição’. Ocultar notícia (para quem quer) é muito fácil quando há muitos fatos e acontecimentos trágicos que podem ou não ser mostrados; isso é fator de ‘entretenimento’ para o incauto consumidor de notícias. Nas repartições dos pequenos e grandes jornais, nos estúdios de rádio e TV e mesmo nas salas onde são produzidos os blogues, notícias podem ser transmitidas com presteza e honestidade, verdadeira intenção de informar bem. No entanto, outros veículos ou aquele mesmo que transmite a ‘boa’ notícia, omite fatos importantíssimos para o conhecimento da população, amputando partes essenciais da realidade. Isso faz com que o público não tenha jamais elementos suficientes para se posicionarem, enquanto cidadãos, diante dos fatos. Num País em que o detentor do monopólio da informação é o próprio Estado, o grupo de comunicação, o jornal ou TV são mero concessionários. Precisavam ter parâmetros legítimos de atuação”, enfatizou.

Brasil

Para a vereadora, no Brasil, nenhuma forma de imprensa é verdadeiramente confiável. Tampouco são livres apesar de exercerem o próprio arbítrio quanto ao que pode ou não ser mostrado. “A ‘autocensura’ fica ao encargo de seus diretores (proprietários) que podem ou não fazê-lo. Alguém poderia dizer do que vivem, mesmo, os pequenos jornais produzidos e que circulam pelos municípios? Se alguém disse ‘patrocínio’, acertou, já que esses jornais são ‘doados’, colocados à disposição nas inúmeras repartições com bastante movimento de pessoas. Há pouca ou nenhuma venda. Agora, vá noticiar algum fato lesivo à comunidade, e que tenha sido de responsabilidade de um patrocinador! Omissões ou abusos cometidos contra o meio-ambiente, como uso abusivo de agrotóxicos por algum fazendeiro; loteamentos ilegais; desrespeito às leis de desmatamento e tantos outros desmandos cometidos pelos donos do poder financeiro, que quase sempre se encontram longe da sede do município e, portanto, dos olhos da população urbana. Calam-se também quando o assunto é política e os atos abusivos contra a população partem de alguém que ‘financia’ o seu veículo de comunicação; isso quando o próprio mandatário não é, ele mesmo, o dono da mídia em questão”, afirmou.

Ao contrário também pode se dar se o veículo de comunicação pertence a algum adversário do ‘transgressor’, segundo a parlamentar Edna Mahnic. “E mesmo quando grandes canais de televisão se colocam ‘a serviço da informação’, fazendo a cobertura de grandes tragédias (como o rompimento das barragens em Mariana, dois anos atrás), podemos ter certeza de que por trás dessa transmissão ‘completa’, quase sempre há interesses pessoais, corporativos e empresarias. E ainda pior: há inúmeros casos em que o mais grave e trágico fica sem ser noticiado e, portanto a população incauta nunca ficará sabendo de sua existência e desfecho. Quando fica, já se passou muito tempo e o prejuízo é irreversível”, comentou.

Era Digital

“Nestes tempos de Internet, os blogs de notícia têm se multiplicado e, como instrumento manipulado por seres humanos, também atuam para o bem e para o mal. Fizessem isso a serviço da verdade e da justiça social de modo independente e estaríamos em ‘outra época’, mas não: por serem operados supostamente por amadores, fazem chegar até a população conectada notícias que a ‘grande mídia’ propositalmente deixa de lado, no entanto, o índice de confiança na integridade da notícia deixa muito a desejar; quase sempre temos que buscar referência em outro órgão de maior ‘credibilidade’, ou mesmo nas informações boca-a-boca. Talvez sua importância esteja no fato de forçarem as mídias tradicionais a se curvarem aos fatos, reconhecendo a existência de determinadas notícias que de outra forma não viriam à tona”, disse.

Conforme ela, exemplo claro de parcialidade midiática pode ser visto diariamente aqui mesmo em Primavera do Leste. “Em todos os municípios do Brasil é assim. Qualquer assunto envolvendo autoridades, servidores públicos e pessoas conhecidas, já vem o sensacionalismo em torno do assunto, momento em que o “diz-que-disse” se multiplica, expondo o cidadão a situações vexatórias. Quando se vai verificar de perto, não é nada daquilo, e a imprensa se desculpa (quando o faz) dizendo que apenas ‘reproduziu’ a notícia, ou então se negam a informar a “fonte”. Isso precisa ter fim. Nessa triste realidade, há uma série de situações obscuras que nem mesmo uma “CPI da comunicação” jamais daria conta de esclarecer, pois os interesses econômicos que calam a mídia são muito poderosos. No grande, no médio e no pequeno órgão de comunicação; em rede nacional, o foco para uma determinada notícia tem um preço. Se o fato é regional, o preço é outro (talvez mais em conta), e se o fato é local, depende dos arranjos pessoais. Não há interesse público na informação”, finaliza alertando que “Querem ser donos de nossas mentes e almas – fiquemos atentos e alertas”.

 

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